Hoje na Economia – 12/04/2022

Hoje na Economia – 12/04/2022

A maioria das bolsas de ações internacionais opera em queda, nesta manhã, enquanto o yield do Treasury de 10 anos atinge o maior nível desde 2018. Investidores à espera da divulgação da inflação ao consumidor dos EUA, que deverá permanecer em patamares historicamente elevados, reforçando o cenário em que o Fed deve acelerar o aperto monetário nos próximos meses.

Os mercados acionários da Ásia fecharam com sinais mistos. Na China, o governo relaxou algumas medidas de restrições à mobilidade devido à Covid-19, diante de sinais de maior controle do surto da doença na cidade de Xangai. Isso devolveu o bom humor aos investidores, levando o índice Composto a fechar em alta de 1,81%, revertendo as fortes perdas da sessão anterior. Em Hong Kong, o Hang Seng também fechou positivo, subindo 0,52%. Nas demais regiões da Ásia, predominou a cautela antes da divulgação da inflação nos EUA e as preocupações de que um forte aperto monetário possa afetar o crescimento da região. O índice regional MSCI Asia Pacific apurou perda de 0,70%, nesta terça-feira. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 1,81%; o sul-coreano Kospi cedeu 0,98% em Seul; em Taiwan, o Taiex recuou 0,34%.

Na Europa, as bolsas da região operam com quedas firmes. Além das preocupações com as pressões inflacionarias exacerbadas pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, impondo fortes medidas restritivas, as bolsas europeias acusam o forte tombo das ações do Deutsche Bank e do Commerzbank, os dois maiores bancos da Alemanha, por razões ainda não muito claras. O índice STOXX600 opera com queda de 0,57%, enquanto o DAX perde 1,18% na bolsa de Frankfurt. Em Londres e em Paris, o FTSE100 e o CAC40 registram quedas de 0,40% e 0,85%, respectivamente. Foi divulgado o índice ZEW de expectativas econômicas da Alemanha, que caiu de -39,3 pontos em março, para -41 pontos em abril, vindo abaixo da previsão dos analistas (-50 pontos).

A expectativa de forte aperto monetário nos próximos meses, diante de uma inflação global elevada e persistente, tem levado os investidores a saírem de suas posições compradas de títulos soberanos. O valor do T-Bond de 10 anos despencou, levando o juro do papel para acima de 2,80% ao ano, o maior nível desde 2018. Movimentos semelhantes se observam na Europa, onde o Bund alemão de 10 anos superou 0,80% ao ano pela primeira vez desde a crise de 2008. O dólar permanece se fortalecendo frente às principais moedas, levando o índice DXY a superar 100 pontos (100,12, +0,19% no momento). O euro desvaloriza 0,12% ante ao dólar, cotado a US$ 1,0871/€, enquanto a libra é negociada a US$ 1,3004/£, se depreciando 0,20%, nesta manhã. Os índices futuros das bolsas de Nova York, por sua vez, operam sem sinal claro, com investidores aguardando a divulgação da inflação ao consumidor (CPI) de março, que deve mostrar alta de 8,4% para o índice cheio e 6,6% para o seu núcleo (Core CPI). Esses números dão força à intenção do Fed de acelerar o ajuste monetário. No momento, o futuro do Dow Jones registra queda modesta de 0,04%, enquanto o S&P 500 flutua em torno da estabilidade. O índice futuro do Nasdaq exibe alta de 0,17%. Para hoje, estão previstas as manifestações de pelo menos dois dirigentes do Fed: Lael Brainard, diretora do Fed; Patrick Harker, Fed Filadélfia.

As cotações do petróleo esboçam reação nesta terça-feira, após devolverem toda alta vista após a eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia. Nesta manhã, o contrato futuro do petróleo tipo WTI para maio sobe 3,03%, negociado a US$ 97,15/barril.

Na agenda econômica doméstica, o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de fevereiro, que deve mostrar aumento no volume de serviços de 0,7% na comparação mensal e de 8,6% se comparado a igual mês do ano passado. O Ibovespa deve acompanhar as bolsas americanas, reagindo ao dado de inflação dos EUA, enquanto o real pode perder frente ao dólar, diante da expectativa de elevação rápida dos juros americanos. Nos DIs, repercute ainda a fala do presidente do BCB, Campos Neto, que diante da surpresa trazida pelo IPCA de março, reforçou a percepção de que o ciclo da Selic poderá se estender para além dos 12,75% ao ano, sinalizados no último Copom.

Topo