Hoje na Economia – 19/05/2022

Hoje na Economia – 19/05/2022

Prevalece nesta manhã um ambiente de clara aversão ao risco, derrubando as bolsas da Ásia, abertura negativa na Europa e futuros americanos exibindo fortes quedas. Os juros dos Treasuries recuam, como também os preços das principais commodities. Volta assombrar os investidores o fantasma da estagflação, onde se convive com inflação elevada em meio a desaceleração da atividade econômica.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em baixa, se juntando ao movimento vendedor que tomou conta dos principais mercados de ações no pregão de ontem. O índice regional MSCI Asia Pacific registrou queda de 1,8% nesta quinta-feira, com fortes baixas nas ações de tecnologia e consumo discricionário. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 2,54%, refletindo as quedas das ações dos gigantes de tecnologia, como Alibaba e Tencent. No Japão, o índice Nikkei caiu 1,89% em Tóquio, enquanto o sul-coreano Kospi cedeu 1,28% em Seul. Em Taiwan, o Taiex registrou perda de 1,70%, também afetado pelas ações de tecnologia. Na China, os mercados andaram na contramão da tendência da região, registrando ganhos moderados. O índice Xangai Composto subiu 0,36%. Investidores seguem atentos à situação da covid-19 nas principais regiões da China. Em Xangai, houve redução no número de novos casos permitindo o afrouxamento das medidas de isolamento, mas novos lockdowns foram adotados em outras partes do país.

Os índices futuros das bolsas de Nova York exibem fortes quedas nesta manhã, sugerindo perdas adicionais à frente, em meio a temores de que a desaceleração econômica e a inflação irão reduzir as margens de lucratividade das empresas. O futuro dos S&P 500 registra queda de 1,54% no momento, dando continuidade à trajetória que levou o índice a registrar, ontem, a maior queda em um dia desde junho de 2020. O futuro do Dow Jones perde 1,24%, enquanto o Nasdaq recua 1,51% acompanhando o movimento global de vendas que atinge o setor de tecnologia. A busca por ativos considerados seguros, elevou a procura pelos Treasuries, levando ao recuo de três pontos base no juro pago pelo T-Bond de 10 anos, que se situa em 2,86%, nesta manhã. O índice DXY do dólar opera em baixa, caindo 0,29%, situando-se em 103,51 pontos. Reflete o movimento de ajuste técnico após as fortes altas recentes. Frente às demais moedas, a divisa americana recua a 127,76 ienes, com a moeda japonesa valorizando 0,38% por conta da busca por segurança; o euro valoriza 0,27%, cotado a US$ 1,0492/€; a libra sobe 0,28%, negociada a US$ 1,2375/£. Ao longo do dia, investidores acompanharão importantes dados econômicos – pedidos de auxílio desemprego, vendas de moradias – e manifestação de um dirigente do Fed.

Na Europa, as bolsas acompanham a queda dos mercados asiáticos, com sentimento dos investidores marcado pelos temores de uma forte desaceleração da economia global ao lado de inflação teimosamente elevada. O tombo de mais de 4% sofrido por Wall Street ontem, reforçando o efeito negativo de alta inflação sobre o consumo e na margem das empresas, assustaram os investidores. No momento, o índice pan-europeu de ações, STOXX600 exibe queda de 2,16%. Em Londres, o FTSE100 perde 2,47%; o CAC40 cai 2,21% em Paris; em Frankfurt, o DAX desvaloriza 2,05%. Hoje, na agenda, o Banco Central Europeu (BCE) divulga a ata da última reunião de política monetária e um dirigente, Luís Guindos, fala às 9h30, devendo reforçar a intenção de subir os juros na zona do euro no segundo semestre.

No mercado de commodities, o índice geral de commodity Bloomberg cai 0,93% nesta manhã; o contrato futuro do petróleo tipo WTI é negociado a US$ 109,06/barril, recuando 0,48%.

No mercado doméstico, a boa notícia é que avança o processo de privatização da Eletrobrás, o que não impedirá que o Ibovespa opere em baixa acompanhando as bolsas internacionais. Neste dia de maior aversão ao risco, com queda nas commodities, o dólar deve subir ante o real e os juros futuros operarem em alta.

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